

O desaparecimento de três integrantes da família Aguiar, em Cachoeirinha, na Região Metropolitana de Porto Alegre, segue sem respostas e tem aumentado a angústia de amigos, vizinhos e pessoas próximas. Silvana Germann de Aguiar, de 48 anos, e seus pais, Isail Vieira de Aguiar, de 69, e Dalmira Germann de Aguiar, de 70, não são vistos desde os dias 24 e 25 de janeiro. A Polícia Civil trabalha com a hipótese de crime e evita divulgar novos detalhes para não comprometer as investigações.
A falta de informações concretas tem gerado sofrimento entre aqueles que conviviam com a família no bairro Anair.
“A gente só queria saber o que houve, o paradeiro, onde que eles estão, o porquê desse sumiço”, desabafa uma mulher próxima da família, que prefere não se identificar. “Que mistério é esse que ninguém resolve?”, questiona.
Segundo a polícia, a principal linha de investigação aponta para crimes como homicídio ou cárcere privado. Pessoas próximas relatam que a família tinha uma rotina tranquila e era bastante conhecida na comunidade.
“Eles eram pessoas boas. Nunca fizeram mal para ninguém, nunca tiveram discussão com vizinhança. Os vizinhos todos gostavam muito deles”, afirma a mesma mulher.
Isail e Dalmira eram proprietários de um pequeno mercado no bairro, mantido há mais de 30 anos e considerado referência para os moradores da região. Silvana, filha única do casal, trabalhava ao lado dos pais e era descrita como extremamente ligada à família. O filho dela, de 9 anos, não estava com a mãe no fim de semana do desaparecimento.
“Uma filha exemplar, uma mãe maravilhosa, sempre dedicada ao filho, aos pais, ao trabalho”, relata outra conhecida de Silvana.
Rotina intensa e sem viagens recentes
A dedicação quase exclusiva ao trabalho também chamou a atenção de pessoas próximas.
“Trabalhavam, trabalhavam, trabalhavam muito. E há mais de quatro anos eles não tiraram nem um dia de férias para visitar familiares”, conta a mulher.
Silvana mantinha hábitos considerados saudáveis e levava uma vida discreta.
“Era uma pessoa calma, alegre, feliz. Ela gostava muito de fazer exercícios físicos”, relata outra pessoa próxima. “O filhinho era a razão do viver dela.”
Com o passar dos dias, cresce o sentimento de impotência entre amigos e vizinhos.
“A gente não está conseguindo seguir”, resume uma mulher que convivia com a família.
O que se sabe sobre o caso
O desaparecimento começou a ser percebido após uma publicação feita por Silvana em uma rede social, no dia 24 de janeiro, informando que teria sofrido um acidente de trânsito ao retornar de Gramado. A polícia, no entanto, já confirmou que o acidente não ocorreu.
Alertados pela postagem, Isail e Dalmira teriam saído de casa no domingo (25) para procurar a filha. Segundo o delegado Anderson Spier, titular da 1ª Delegacia de Polícia Regional Metropolitana, o casal chegou a se dirigir a uma delegacia para registrar o desaparecimento, mas encontrou a unidade fechada. Depois disso, não foram mais vistos.
“Por esse tempo todo que passou, provavelmente ela [Silvana] tenha sofrido ou esteja sofrendo algum crime que não permita manter contato com a família”, afirma o delegado. Ele ressalta ainda que o comportamento da família foi considerado atípico, já que costumavam avisar quando se ausentavam.
A polícia também confirmou que Silvana não esteve em Gramado. “O que a gente já sabe com precisão é que ela não esteve em Gramado”, afirmou Spier após consultas a concessionárias e delegacias da região.
O carro de Silvana foi encontrado na garagem de sua casa, com a chave dentro do imóvel, reforçando a tese de que ela não viajou.
Movimentação suspeita e perícia
Imagens de câmeras de segurança registraram movimentações consideradas incomuns na noite de 24 de janeiro. Um carro vermelho entrou na residência de Silvana às 20h34 e saiu oito minutos depois. Às 21h28, o veículo dela entrou na garagem. Mais tarde, por volta das 23h30, outro carro chegou ao local, permaneceu cerca de 12 minutos e deixou a residência. A polícia investiga se Silvana dirigia o próprio veículo e busca identificar os demais carros.
Durante as diligências, os investigadores encontraram um projétil de arma de fogo no pátio da casa de Isail e Dalmira. O material foi recolhido e encaminhado para perícia.
Depoimentos da vizinhança
Vizinha do casal, Gislaine Aparecida Silva Rodrigues de Anchieta afirma que conversava com Isail e Dalmira diariamente.
“Está sendo bem difícil, porque a gente fica naquela expectativa de que o carro vai parar e eles vão descer”, relata.
Moradora do local há 17 anos, ela conta que os donos do mercado viviam no endereço há mais de três décadas.
“Eles eram pessoas muito boas e trabalhadoras”, afirma. Segundo Gislaine, ela viu o casal pela última vez no dia 22 de janeiro. “Estava tudo normal. A gente conversou bastante.”
Próximos passos
A Polícia Civil aguarda a realização de perícias na casa de Silvana e no mercado da família em busca de vestígios que possam ajudar a esclarecer o caso. Outras imagens de câmeras de segurança seguem sendo analisadas, e novas oitivas devem ocorrer nos próximos dias. Até o momento, seis pessoas já foram ouvidas.
Com informações: Correio do Povo
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